Inquietações: Desmistificando a Maternidade (precoce)
totalgifs.com welcome gif gif 16.gif

Desmistificando a Maternidade (precoce)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

"Ser mãe é escolher viver o resto dos dias com o coração para fora do
corpo". Nossa, há muita verdade nisso.
Ser mãe é muito além do que mostram os meios de comunicação quando
chega perto o domingo dedicado a nós.
Claro que tem (ou deveria ter) o afeto, os carinhos, os beijos e abraços e
a felicidade constante e inabalada, mas a perfeição acaba aí.
Até está passando uma propaganda muito interessante que fala dos
dissabores que este imensurável sentimento nos oferta em troca da
felicidade extrema da maternidade, dentre eles o mais temido de todas
nós: o dia em que eles irão embora.
Ser mãe é sentir a dor incontrolável da educação, do bate-boca
interminável quando se tem de explicar que a criança não pode ser
teimosa, que tem que cumprimentar as pessoas e não se enconder entre
nossas pernas, que ela precisa comer sem sujar metade da casa.
Ter o coração aos pedaços ao ouvir o choro quando os colocamos de
castigo, quando necessitamos negar algo para eles aprenderem a dar
valor ao dinheiro, ou mesmo a queixa dengosa de que quase não paramos
em casa, pois trabalhamos o dia inteiro e em certos casos -como o
meu- ainda temos aula a noite. Ficar com peso na consciência depois de
mostrar que o mundo não é sempre só alegrias, ter que encarar o olhar
magoado ou a cabeça baixa quando não podemos comprar algo que eles
desejam porque não temos dinheiro para aquilo no momento, e pior ainda:
engolir em seco quando eles dizem 'não tem problema, mãe, eu entendo'...
Queria poder dar tudo para minha filha, desde todos os bens materiais até toda a atenção do mundo. Mas é impossível negar que
nossos bichinhos custam dinheiro, para se alimentar, vestir, brincar..., e
por isso precisamos nos ausentar, deixar vazio aquele espaço que nos
tempos da minha avó eram preenchidos o dia inteiro com os gritos e
mimos das mães. Bons tempos aqueles...
Minha filha está no colégio, 3ª série (meu orgulho!), e fico com o coração
na boca quando ela tira uma nota vermelha, ou tem alguma bronca com um
coleguinha (já sofri Bullying -quando ainda não era assim tão manjado- e
presto atenção para ela não passar por isso também...), ou quando troca
o nome do meu marido pelo do tal Mauricio, um colega 'bonitinho'(segundo
suas próprias palavras) que ela não para de falar, ou quando ela reclama
que não tem roupas bonitas para ir à aula...
Tenho ciumes do Justin Bieber, Luan Santana e Restart, a qual ela admira
tanto, mas me vejo com o mesmo brilho nos olhos quando, anos atrás,
me falavam das Chiquititas, Backstreet Boys e Leonardo DiCaprio, e
percebo que só não volto a ser criança por apenas um detalhe.
E é aí que me dou conta que nossos filhos nos dão essa oportunidade
mágica: poder voltar a ser criança, com brincadeira de crianças e
falando como crianças sem precisar nos preocupar em parecer ridículas,
pois temos a célebre desculpa: sou mãe.
Existem mil desafios a serem enfrentados, e sei que enquanto a
adolescência for se aproximando, os problemas irão só aumentar e a
preocupação tomar conta de todos os meus sentidos.
Não sei se sou uma boa mãe, as vezes acho que sou meio maluca,
talvez tão infantil quanto a Mel, mas me sinto mãe quando penso que um
dia ela vai crescer, vai viver sua vida e vai me deixar. Logo eu, que
quando ela era nenê queria que ela crescesse logo, agora não quero
mais ver mudanças, quero estacionar tudo como está e impedir seus
peitos de continuarem crescendo, ou tirar as dúvidas perturbadoras de
sua cabecinha... Me sinto mãe quando levanto todos os dias para
trabalhar encontrando motivação nela, que também levanta cedo como eu
para ir à aula, e quando saio cansada do serviço e vou para a aula
-pensando em ir embora- penso que isso é para ela ficar orgulhosa de mim
um dia, dar bom exemplo e principalmente, ter condições de dar tudo o
que tiver ao meu alcance para que ela seja uma pessoa do bem, podendo
estudar até quando quiser sem precisar do sacrifício de trabalhar e
estudar.
Me sinto mãe quando ela me abraça e me beija e me diz toda melosa que
me ama e que não vai me deixar nunca. E mesmo que eu não tenha tanta
disposição para 'rasgação de seda' ás vezes, isso me dá a maior alegria
do mundo, sem ao menos encontrar uma boa definição para o que sinto...
Ser mãe tem seus prazeres e seus desafios, e de tudo o que escrevi
aqui e tenho vivido no dia-a-dia, de uma coisa eu tenho me dado conta:
ser mãe é mesmo padecer no paraiso... 

0 comentários: