Inquietações: 18 de outubro de 2009
totalgifs.com welcome gif gif 16.gif
domingo, 18 de outubro de 2009

Até que ponto é natural pessoas normais ( mas o que seriam pessoas normais???) se envolverem com uma história de ficção? Isso nunca havia me preocupado até hoje, na verdade nunca pensei o quanto pudesse ser perigoso alguém se perder de fato nas páginas de um livro – pirar mesmo na batatinha, sair da casinha, pirar – e ficar sem noção por um minuto que seja. Algumas horas atrás me aconteceu algo sinistro...

Quem me conhece sabe o quanto sou totalmente viciada e obcecada por livros, li tanta coisa que ás vezes até me é um pouco complicado armazenar sem confusão todos os dados e informações que absorvo a cada nova obra lida, como se meu cérebro não conseguisse mais guardá-las sem atropelos e um pouco de raciocínio, precisando pensar um pouco antes... Uma vez um ex me disse que um dia enlouqueceria com tanta informação... será que estou começando a pirar de fato? Bem, o caso é que como leio muito e desde muito cedo, já li, literalmente, de tudo e mais um pouco (não tanto quanto ainda gostaria de ter lido). Trabalho em um local um tanto seletivo, onde pessoas de certo nível cultural (não estou desmerecendo ninguém, longe disso, apenas tentando explicar o tipo de pessoas com as quais convivo) frequentam e onde tenho fiéis clientes, que hoje posso até chamar de amigos, e sei que as próximas linhas chocarão (e talvez até decepcionarão) alguns deles. Paulo, Johnny, Ander e Alex, principalmente, sugiro que não continuem esta leitura. Sabe, detestaria decepcioná-los, mas o que está escrito abaixo talvez os façam perceber que não sou o “gênio” que vocês acham, ao menos leio coisas normais também e isto pode não agradá-los...

Como toda jovem, sou “twilighter” assumida. Li e comprei todos os livros da série Crepúsculo e sou fã incondicional de Stephenie Meyer. É uma história sem pé nem cabeça, eu sei, totalmente fora da realidade e acho que é exatamente isso o que a torna tão fantástica. A “tia Steph” conseguiu tirar a maioria das pessoas que leram seus livros de uma vida massiva, agitada e estressante e jogá-las num mundo totalmente mágico, com personagens encantadores e fazê-las sentir por um instante a leveza de ser criança novamente, mergulhar em um livro e se deixar levar pelas palavras. Conheço pessoas que simplesmente não apreciavam (algumas continuam não apreciando) a leitura da mesma maneira que eu por exemplo, e devoraram os livros desta série, alguns até se “arriscaram” a começar a ler outros títulos. Poxa, todos sabemos que é uma história de ficção, sabemos também que é (ou pelo menos era pra ser) para uma faixa-etária exclusiva – a infanto-juvenil - , e que muitos adultos se constrangem ao admitir que leram e, principalmente, que gostaram.

Eu, pessoalmente, não curto muito Best-Sellers. Não é preconceito, na verdade não sei o que é, mas mesmo que os leia não me sinto a vontade em aceitar isso perante pessoas que sabem que leio autores conceituados como Dostoiévski, Tolstói e Schopenhouer, que adoro Machado de Assis, Milton Hatoun e Érico Veríssimo, que meu poeta preferido é Fernando Pessoa (em especial seu heterônimo modernista, Álvaro de Campos) seguido de perto por Drummond, Vinícius de Moraes, Pablo Neruda e Mário Quintana (claro!). Pode ser infantilidade minha, mas estas pessoas criam uma imagem em cima de mim que me faz sentir – como direi... - “trapaceira” caso leia outra coisa, e mesmo que diga não, é claro que me preocupo com o que pensam de mim. Sei que passo a imagem de ser aquela “punk-rock porra-louca” que não se importa com ninguém, ás vezes até sou (meu “eu” é dividido por fases), mas como todo mundo também quero ser aceita, e quando as pessoas (principalmente pessoas próximas, que estimo) me idealizam em cima das obras que leio, elas me limitam somente àquele tipo de leitura, e me sinto em dívida com elas por ler também romances infanto-juvenis e me identificar pacas com eles.

Pois bem, amo crepúsculo sim, e dificilmente uma ficção me fez sentir tão leve quanto esta. Depois da trilogia de “O Tempo e o Vento”, de longe meu livro preferido, o que faz Érico Veríssimo figurar num alto patamar nos meus melhores conceitos literários, este romance totalmente inverossímel me pegou desprevenida e ganhou meu coração.

Seguindo esta linha “sei-que-isto-não-existe-mas-adoro”, estou agora lendo uma outra coleção bem parecida em termos de inverossimilhança, porém diferente em vários aspectos, e que está me tirando o fôlego: Marcada e Traída, da série “House of Night” (Morada da Noite, em português). Terminei o primeiro (Marcada) nesta segunda e já estou na metade da continuação (Traída). Sei que no exterior já foram lançados o terceiro e o quarto, mas acredito que ainda não tenha previsão para lançá-los no Brasil. E já estou ultra ansiosa! Este é com certeza mais eletrizante que crepúsculo, tem cenas em que tu perde o fôlego (ao menos no Traída). Lá pela página 135 (assim como anteriormente na 36 ), cheguei a ficar sem respirar – literalmente, tamanha a adrenalina dos acontecimentos, me senti exatamente como a personagem, cada músculo meu respondeu ao que Zoey dizia estar sentindo. Quando recuperei o fôlego, me senti a mais imbecil das criaturas (fala sério, perder o fôlego devido a uma leitura comum!!!), e em seguida caí na risada! Sério, este livro é bom mesmo, se não fosse certamente eu não estaria me expondo assim (ok, tenho MESMO que parar de tentar esconder quem eu sou, todos sabem que sou eclética, e, bem, leio o que eu quiser, né?!). As autoras se chamam P. C. Cast e Kristin Cast, respectivamente mãe e filha, o que achei uma peculiaridade muito bacana. A história é escrita de forma leve, com um toque sutil de sensualidade (ao menos no primeiro, visto que o segundo é mais pesado – porém não vulgar), ironia, jovialidade e muito humor. Romance ás pencas também, é claro. E os detalhes do lugar (a tal Morada da Noite, uma espécie de “escola” que treina futuros vampiros, onde lecionam equitação, esgrima, Tae Kwon Do e sociologia vampírica no lugar de matemática, química e geografia) realmente me fizeram desejar ser marcada e me mandar deste mundo hostil e dolorido (nossa, que irônico...). Acho que essa é a moral dos livros, todos querem se esconder da realidade, esta vida mundana não nos apetece e nos dá marcas bem diferentes das do história que estou lendo... são marcas que não nos são presenteadas por uma Deusa que nos acha fortes para entrar num mundo cheio de mistérios, e sim conseqüência de uma vida difícil. Todos estamos aqui para aprender, é óbvio, se não fosse isso nada mais faria sentido, mas como seres humanos (muitas vezes erráticos) gostaríamos de poder dar uma fugida da realidade que nos cerca, dar um pulinho em Forks ou na Morada da Noite, ver como são as coisas por lá e voltar para nosso dia-a-dia mais leves, menos estressados. Então chego a conclusão de que esta é a real razão pela qual, ao menos eu, desperto tanta afeição por histórias outrora bobinhas, sem sentido, mas que me anestesiam ao menos por uns minutos do meu dia de jovem trabalhadora em busca de um lugar ao sol. A Bella lembra muito a mim pelo jeito maduro de ser desde cedo (hoje não sei se algum dia fui realmente uma adolescente, criança sim, mas a etapa intermediária entre a infância e a idade adulta talvez me tenha sido tirada rápida demais...aprendi muito cedo a sofrer por amor – sofrer no sentido mais amplo e maduro da palavra - , familia complexa, perdas irreparáveis e responsabilidades cedo demais para um ombro tão pequeno...) e até pelas trapalhadas... E Zoey por querer se encaixar em algum lugar, por estar perdida nela mesma e pelos conflitos maternos... Livros são feitos para isso mesmo, e não importa sua idade, e sim o que cada leitura provoca em você. É só não confundir nossas vidas com as dos personagens (sério, muita gente faz), aí é que me pergunto o quanto pode ser perigoso cruzar o tênue véu da sanidade que há quando lemos uma história que gostaríamos que fosse a nossa...

Estou ensaiando escrever um livro, nada pretensioso demais, apenas um romance de valores para minha filha ler quando for adolescente e não quiser escutar sua mãe. É uma maneira de eu mostrar a ela, de forma agradável e menos invasiva, uma forma de refletir sobre atitudes, decisões e até de impregnar nela a idéia de que quando um adulto não puder compensar suas dúvidas, um livro certamente pode fazê-lo. O nome do livro será “Fuga!”, sugestivo, eu sei. É esta a intenção. Fala sobre duas adolescentes bem típicas, uma preocupada com o visual, garotos e sua rodinha de amigos superpopulares (mas nem por isso vilã), exatamente como muitos de meus amigos e pessoas que conheço às pencas, e outra (autobiográfica, confesso) preocupada em entender o mundo e suas relações, mas também não uma completa alienada (também curte roupas de marca, apesar de ser indiferente tê-las quando estão na moda ou não), e é exatamente nesta, que tem muito de mim e do que eu gostaria que a Mel também tivesse daqui alguns anos, que eu gostaria que minha filha se espelhasse, evitando assim de fazer escolhas incertas nas quais se arrependerá futuramente. Quero que ela seja uma boa garota e esta personagem falará por mim quando eu não puder... é isto que espero, ao menos.

INFÂNCIA EM DOIS TEMPOS

Hoje foi um dia atípico pra mim. Geralmente as idéias me fluem naturalmente e qualquer situação me faz querer escrever. Mas hoje tive uma “overdose” de inspirações! Na verdade, mal sei por onde começar... Primeiro decidi parar de escrever como uma retardada viciada em Orkut, MSN e afins e digitar decentemente. Afinal, mesmo sendo um blog basicamente para os amigos, naturalmente outras pessoas irão ler e não quero que tenham uma opinião errada formada sobre minha pessoa (já que dentro em breve pretendo ser uma reconhecida jornalista). Bem, é bom sinalizar que esta reforma ortográfica está me deixando meio louca, tipo (ah, sim, escrever de forma correta não vai me impedir de deixar escapar minhas gírias cotidianas, já que também não quero que este blog seja formal demais... acho que ainda posso fugir de ser “totalmente correta”, ainda nem passei no vestibular!!!), fatalmente irei acentuar ou pôr um hífen de maneira incorreta de acordo com esta reforma, mas como ela só vai valer mesmo a partir de 2012, também me reservo este direito... Vou começar pela situação que me “desencadeou” a onda de “boas-ideias-para-crônicas”. Foi por volta das 19h, na livraria em que trabalho, no Shopping Total. Havia um bate-papo com os autores Hermes Bernardi Jr. E Carlos Urbim, eleito recentemente o Patrono da nossa Feira do Livro deste ano. Como ambos escrevem basicamente livros infantis, falaram muito sobre a infância e a diferença que há entre agora e os tempos antigos... Enquanto eles debatiam, eu devaneava... Sério, juro que voltei a ter 9 anos de idade e até senti o cheiro da grama molhada de minha infância, no sítio em que passei a maior parte da minha vida (pelo menos até 11 meses atrás)... E me peguei comparando os meus dias com o dia-a-dia de minha filha, hoje com 6 anos. E percebi que nunca tinha parado para pensar em como os tempos realmente mudaram, é algo quase físico, tamanho o choque! Sou filha única de uma mulher que também era filha única, portanto, única neta do casal que praticamente me criou. Morávamos num sítio que fica no bairro Belém Velho, uma zona quase rural (ao menos até hoje considero assim minha antiga rua, a Antônio Borges – quem mora lá não me deixa mentir). Com exceção de uma vizinha que beirava a minha idade e era minha colega no colégio, eu era sozinha. E nunca me incomodei com isso, ao menos não me recordo. Sabia brincar perfeitamente sozinha, e a TV teve um papel fundamental naquela época: como disse um dos palestrantes hoje, ela era minha “babá eletrônica”. Era com ela que passava a maior parte do tempo, e adorava programas mais “culturais”, como o extinto “ O Mundo de Beackman” (quem se lembra deste? Se alguém não sabia minha idade, acabei de revelá-la). Anotava todas as experiências que ele e seus assistentes Lisa e o rato Lester faziam e as repetia mais tarde ou no dia seguinte. Uma vez cheguei a apresentar uma delas na Feira de Ciências do colégio e ganhei um A. O Castelo Rá-tim-bum também fez parte de mim, e os “Os Cavaleiros do Zodiaco” fazem até hoje. E tinham também aqueles programas “japas” tipo Patrine, Jiraya, Solbrain, Saylor Moon e cia. Que eram os meus preferidos! Mas sobretudo adorava brincar de “enfermeira”. Fingia que alguma árvore tinha alguma doença ou que meu cachorro (e felizmente eu tinha um cachorro de verdade, não precisava inventar um) estava com algum problema e só eu podia curá-lo. Uma vez quase o matei: juntei um monte de ervas, que naturalmente eu desconhecia, misturei tudo com água fervente (eu era criança, mas sabia que para fazer chá a água tinha de estar em ponto de ebulição) e dei aquela fusão à ele. Meu vô padeceu para fazê-lo se recuperar. E a partir daí nunca mais dei nada para nenhum ser vivo ingerir... Inventava brincadeiras não sei de onde e me divertia horrores! Acho que meus avós até esqueciam que tinha criança em casa, pois ficava horas absorta em alguma “função”. Obviamente ser tão sozinha me causou algum distúrbio (esta é a palavra correta?), e eis que comecei a conversar sozinha. Veja bem, eu disse conversar, não falar, até porque falar sozinha é algo que faço até hoje, mas de fato inventava que meus amigos do colégio estavam comigo (isso em época escolar, antes da escola geralmente era alguém dos Cavaleiros, como o Seya e o Yoga, que eu achava mais “gatos” – nossa, não acredito que escrevi isso...) e conversava feito um papagaio. Logicamente fui percebendo que pessoas que conversam sozinhas não são bem interpretadas e fui abandonando esta prática, não antes de ser pega uma ou duas vezes por minha mãe, o que foi bastante constrangedor... Mas nunca inventei amigos (tipo amigos imaginários mesmo, era meio demente... mas nem tanto!), todos eram de carne e osso (Cissa, Kelly e Katiúsce, se um dia lerem isto – e não sei se realmente gostaria que vocês lessem – saibam que estiveram mais tempo comigo do que realmente souberam... hihi) e os conhecia bem. Hoje presto atenção na Mel: ela dificilmente brinca sozinha, qualquer coisa a deixa entediada e ela não fica totalmente satisfeita se alguém não a estiver escutando ( e eu digo “realmente” escutando). Ela precisa de uma boneca/papel e caneta/computador para se divertir, e estes objetos são uma exigência, não uma opção. Sem falar que as bonecas têm de fazer algo, qualquer coisa “sobrenatural” (não se precisam mais de crianças, eles já as fazem em fábricas, pois estas bonecas choram, falam, fazem xixi e algumas até sabem outra língua e crescem (sério, nas Americanas tem uma que cresce 5 ou 10 cm! Coisa do capeta!), o computador tem de ter internet (para ela entrar no jogosparameninas.net.com) e uma infinidade de jogos amalucados para uma menina de seis anos e todos os filmes da Era do Gelo, Shrek e Deu a Louca na Cinderela e Deu a Louca na Chapeuzinho. Ela ama! É uma criança totalmente virtual e tecnologicamente instruída. Tá, meu namorado é técnico em informática e pode ser que ele a influencie um bocado, mas ela mal sabe ler e conhece cada comando do computador para o que ela quiser, e tem um conhecimento assombroso em utilizar o Google e outras ferramentas de busca. Acho que ela deve ter algum sexto sentido ou algo assim... crianças índigo, não é assim que chamam crianças tipo a minha filhinha de apenas 6 aninhos? Nossa, elas são assustadoras... Mas mesmo com essa parafernália toda e tanta informação a um clique do mouse, me pergunto se teria sido mais feliz se fosse criança nestes tempos do que fui lá em 95, 96. Só as lembranças de minhas invenções me fazem rir de doer o estômago e me trazem bons momentos de volta, então sei que a resposta é que cada um tem seu tempo, nasce e cresce com aquilo que é o seu mundo no momento, e os mundos meu e da Mel são simplesmente diferentes demais para querer fazer comparações. Vi o celular nascer, praticamente, com todo aquele tamanho e pesando uns 20 quilos (ok, exagero é meu nome) e ela provavelmente vai crescer lendo seus livros preferidos em um ebook (que idéia pavorosa! Sou totalmente antiquada e viciada no cheiro e no farfalhar das páginas dos livros ao serem viradas...), então desisto de tentar entender este mundo doidão e paro por aqui porque tenho mais o que fazer (checar meus emails, responder recados no Orkut, postar este texto no blog, entrar no MSN, dizer o que estou pensando/fazendo no Twitter, adicionar aplicativos no Facebook... o quê? Não disse que não curto tecnologia, apenas que não curtiria trocar minhas brincadeiras de infância por ela. Mas hoje tenho 23 anos e lembranças de uma infância muito feliz, portanto me dou o luxo de ficar “conectada” ao mundo da minha filha, afinal, alguém tem que assisti-la, né?).