Inquietações
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Amizade é fundamental. E ponto final.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

domingo, 12 de fevereiro de 2012

“With freedom, books, flowers, and the moon, who could not be happy?”- Oscar Wilde

AFINAL, para que(m) serve o TEU conhecimento???

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Seguidamente me pego pensando nesta polêmica frase que grafitaram em
um muro da UFRGS, tempos atrás.
Afinal, conhecimento serve para quê?
Ou para quem?? A resposta está em cada um. Como uma digital, é pessoal
e intransferível. Antes de mais nada, é interessante se questionar o que é
este tal conhecimento, em qual conhecimento se baseia a dita pergunta...
Deduzo que seja o conhecimento do próprio colégio, aquela segunda
casa na qual passamos grande parte de nossa infância e toda a adoles-
cência...
            Engraçado pensar que eu, que hoje valorizo tanto estes estudos,
que amargo a ideia de não ter me esforçado mais e me dedicado à escola
da forma como ela merecia (e eu também), a menos de 15 anos não lia nada
daquilo que escrevia no caderno caprichosamente escolhido no começo
do ano, só folheava o livro que recebia do colégio para cheirá-lo (mania
estranha que trago até hoje) ou para ouvir o farfalhar das folhas, sem me
dar o trabalho de enxergar a matéria que havia ali, mesmo que ela valesse
nota. Era tão mais fácil pedir aos colegas mais inteligentes para coloca-
rem nosso nome em um trabalho que nem ao menos sabíamos do que se
tratava, ou pedir o resumo do amigo para fazer o nosso próprio resumo
em cima dele (na verdade, copiava um parágrafo, pulava o próximo e
fazia uma conclusão que nada tinha a ver com o assunto). E a típica
correria para tentar decorar a matéria da prova que seria dada dali a
uma hora???? Ler a mesma frase mil vezes rezando para que a mesma
virasse uma das questões. De mais a mais, o colégio era só farra, correria
no recreio, pegação nos corredores e panelinhas pipocando aqui e  ali.
Percebo que não dava a devida importância ao conhecimento que os
professores sofregamente tentavam colocar em dezenas de cabeças-oca
que ocupavam as classes em sua frente. E sabe o que é mais lamentável?
É o fato de que nós, adolescentes, achávamos o máximo levar esporro
pelas conversas demasiadas, dávamos risada com os outros quando
tirávamos uma nota vermelha, mesmo que por dentro o medo de dar a
prova à mãe para que fosse assinada ocupasse até os nossos sonhos.
Decorar, não copiar, não ler, não levar à sério, era cool. Hoje percebo
como era uma babaca ignorante.
           Estou concorrendo a uma bolsa do PROUNI na PUCRS, para o curso
que é meu sonho: Jornalismo. Bem, rezo para que dê certo, mas se não
der, penso seriamente em voltar para o Julinho, colégio de onde - aliás -
eu nunca devia ter saido antes de estar formada. Aposto que desta vez
darei o devido valor, pois depois da adolescência e suas crises fica
mais fácil perceber a real importância de certas coisas...
             Voltando ao assunto do conhecimento... bem, eu acho que o que
sabemos vale mais para nós mesmos, embora isso se reflita de forma
positiva em nosso meio. Estes dias li uma pichação em um muro que dizia
"podem tirar tudo de você, menos o que você sabe". Nossa, essa máxima
é a mais pura verdade. Adquirimos conhecimento, experiências, maturida-
de para nosso próprio uso-e-fruto. Não importa o tanto que você sabe,
pois como canta Charlie Brown Jr., "saber muito é muito pouco", o canal é
estar sempre se renovando, se atualizando com os fatos que rodeiam
nosso mundinho, nossa comunidade, nossa cidade, nosso país ou o
mundo como um todo. Usamos nosso conhecimento para nós mesmos,
mas isso não nos impede de espalhar esse tal conhecimento por ai.
               E por favor, agora aos alunos de 1ª série do Fundamental até
o 4º ano do Ensino Médio, vamos otimizar esse tempo, prestar atenção
nas aulas e quando ao menos souber responder qual matéria estão
tendo na última semana sim, vamos aproveitar! Porque um dia fui como
vocês, e hoje penso com tristeza na formatura que não tive, no Certificado
de Conclusão que talvez não merecesse e aos 25 anos de idade amadure-
ço a ideia de voltar aos bancos da escola, com a pirralhada de 15, 16 e
17 anos que tenho vontade de jogar pela janela do ônibus que pego
pela manhã ao ir trabalhar!
               "Galéri" (profe Thiago, vou sentir sua falta! Ainda bem
que tenho o teu face!), um pouco mais de cultura pelo amor de Deus!
De nada vale uma frase tão legal num muro polêmico se o conhecimento
a que se refere o questionamento ocupa a minoria das cabeças de quem
a lê???

Desmistificando a Maternidade (precoce)

"Ser mãe é escolher viver o resto dos dias com o coração para fora do
corpo". Nossa, há muita verdade nisso.
Ser mãe é muito além do que mostram os meios de comunicação quando
chega perto o domingo dedicado a nós.
Claro que tem (ou deveria ter) o afeto, os carinhos, os beijos e abraços e
a felicidade constante e inabalada, mas a perfeição acaba aí.
Até está passando uma propaganda muito interessante que fala dos
dissabores que este imensurável sentimento nos oferta em troca da
felicidade extrema da maternidade, dentre eles o mais temido de todas
nós: o dia em que eles irão embora.
Ser mãe é sentir a dor incontrolável da educação, do bate-boca
interminável quando se tem de explicar que a criança não pode ser
teimosa, que tem que cumprimentar as pessoas e não se enconder entre
nossas pernas, que ela precisa comer sem sujar metade da casa.
Ter o coração aos pedaços ao ouvir o choro quando os colocamos de
castigo, quando necessitamos negar algo para eles aprenderem a dar
valor ao dinheiro, ou mesmo a queixa dengosa de que quase não paramos
em casa, pois trabalhamos o dia inteiro e em certos casos -como o
meu- ainda temos aula a noite. Ficar com peso na consciência depois de
mostrar que o mundo não é sempre só alegrias, ter que encarar o olhar
magoado ou a cabeça baixa quando não podemos comprar algo que eles
desejam porque não temos dinheiro para aquilo no momento, e pior ainda:
engolir em seco quando eles dizem 'não tem problema, mãe, eu entendo'...
Queria poder dar tudo para minha filha, desde todos os bens materiais até toda a atenção do mundo. Mas é impossível negar que
nossos bichinhos custam dinheiro, para se alimentar, vestir, brincar..., e
por isso precisamos nos ausentar, deixar vazio aquele espaço que nos
tempos da minha avó eram preenchidos o dia inteiro com os gritos e
mimos das mães. Bons tempos aqueles...
Minha filha está no colégio, 3ª série (meu orgulho!), e fico com o coração
na boca quando ela tira uma nota vermelha, ou tem alguma bronca com um
coleguinha (já sofri Bullying -quando ainda não era assim tão manjado- e
presto atenção para ela não passar por isso também...), ou quando troca
o nome do meu marido pelo do tal Mauricio, um colega 'bonitinho'(segundo
suas próprias palavras) que ela não para de falar, ou quando ela reclama
que não tem roupas bonitas para ir à aula...
Tenho ciumes do Justin Bieber, Luan Santana e Restart, a qual ela admira
tanto, mas me vejo com o mesmo brilho nos olhos quando, anos atrás,
me falavam das Chiquititas, Backstreet Boys e Leonardo DiCaprio, e
percebo que só não volto a ser criança por apenas um detalhe.
E é aí que me dou conta que nossos filhos nos dão essa oportunidade
mágica: poder voltar a ser criança, com brincadeira de crianças e
falando como crianças sem precisar nos preocupar em parecer ridículas,
pois temos a célebre desculpa: sou mãe.
Existem mil desafios a serem enfrentados, e sei que enquanto a
adolescência for se aproximando, os problemas irão só aumentar e a
preocupação tomar conta de todos os meus sentidos.
Não sei se sou uma boa mãe, as vezes acho que sou meio maluca,
talvez tão infantil quanto a Mel, mas me sinto mãe quando penso que um
dia ela vai crescer, vai viver sua vida e vai me deixar. Logo eu, que
quando ela era nenê queria que ela crescesse logo, agora não quero
mais ver mudanças, quero estacionar tudo como está e impedir seus
peitos de continuarem crescendo, ou tirar as dúvidas perturbadoras de
sua cabecinha... Me sinto mãe quando levanto todos os dias para
trabalhar encontrando motivação nela, que também levanta cedo como eu
para ir à aula, e quando saio cansada do serviço e vou para a aula
-pensando em ir embora- penso que isso é para ela ficar orgulhosa de mim
um dia, dar bom exemplo e principalmente, ter condições de dar tudo o
que tiver ao meu alcance para que ela seja uma pessoa do bem, podendo
estudar até quando quiser sem precisar do sacrifício de trabalhar e
estudar.
Me sinto mãe quando ela me abraça e me beija e me diz toda melosa que
me ama e que não vai me deixar nunca. E mesmo que eu não tenha tanta
disposição para 'rasgação de seda' ás vezes, isso me dá a maior alegria
do mundo, sem ao menos encontrar uma boa definição para o que sinto...
Ser mãe tem seus prazeres e seus desafios, e de tudo o que escrevi
aqui e tenho vivido no dia-a-dia, de uma coisa eu tenho me dado conta:
ser mãe é mesmo padecer no paraiso... 

Efemeridades..

     As coisas nem sempre são o que parecem. Ou elas nunca voltam a ser
como haviam sido outrora. A efemeridade das coisas paira sobre nossas
vidas, impossibilitando o amanhã de ser igual ao que foi o hoje. Isto seria
bom, não fosse a confusão que causa em nossos sentimentos meramente
humanos.
     Há situações em que o coração e/ou os sentidos tem de dar
espaço a algo mais sólido e próximo do real. É dolorido? É, é sim. Mas é
também necessário, visto que nem sempre as escolhas que fazemos
visando o bem sentimental são as corretas, ou as mais seguras. Talvez
nossa real necessidade seja nos autofirmar perante uma situação atípica,
mostrar a nós mesmos que quebrar tabus e transgredir regras faz parte
da vida e do autoconhecimento.
      Mas sabe, depois que se faz isso pela primeira vez perde um pouco o
sentido de agir novamente da mesma maneira. Acabam-se aí as
desculpas. Há quem diga que o ser humano está em constante reciclagem
e muda conforme o 'meio', adaptando-se assim às dificuldades e tendo
mais facilidade para interagir com os outros e consigo mesmo.
Sim sim. Blá-blá-blá! Mas estou farta destas especulações!
      Quero saber o motivo de ficar - talvez ser - tão confusa. Se algo nos
faz bem, então por que o questionamos?? E se sabemos que uma coisa
não está certa, por que insistimos em pensar nela? Sim, porque o
pensamento é um demônio interno que temos de enfrentar todo santo dia,
e é claro que isto faz parte de toda a droga de autoconhecimento
que já citei 'n' vezes aqui.
       Uns me diriam "hey, vá em frente, que mal há em se conhecer um
pouquinho??". Mas sei que não é assim. Quando outras pessoas
estão em jogo, qualquer movimento tem de ser friamente calculado.
Não sei se isso faz parte das regras, mas não há como passar por cima
de sentimentos alheios sem ferir os meus próprios. Não há jeito,
tenho que aprender a deixar de lado o que me atormenta, porque se
faz isso deve ser porque de alguma forma é nocivo pra mim...
        As vezes penso "mas que se dane tudo! Quero mais é extravasar!!!"..
Mas e se eu me ferir?? Não podemos dar força a certas ideias, senão
elas acabam por te engolir, e quando a vida está boa, não nos resta
outra saida a não esquecer, e não apenas fingir que esqueceu, o que nos
faz pirar.
         Seria algo simples e indiscutível se toda a ação não dependesse
exclusivamente do coração da gente... mas vamos seguindo adiante,
que ainda temos muito a aprender sobre autocontrole, e cada conflito
nada mais é que a escola da vida, nos aplicando uma prova surpresa e
sem consulta...

...E tudo se supera...

Os dias sombrios e tempestuosos dissipam-se no horizonte... prenuncia-se a calmaria primaveril, que ironia, bem em tempos de inverno em PoA... mas meu coração e minha mente não localizam-se na cidade, mas sim nas profundezas do meu próprio eu...

Tiro uma força descomunal de onde nem me recordava mais haver... e mais uma vez eu me supero... quantas vezes um coração pode ser partido e continuar a bater???

Chega de obscuridade e dores ininteligíveis em meu interior... que venham agora os arco-íris brindar meu mais novo 'eu' refeito, novinho em folha, com sentimentos reavaliados - embora não superados por completo (ainda)- e novo ânimo de encarar a vida!!! \o/

E então faz-se a luz.

[Des)igualdades

As aulas de Geografia estão tirando o meu sono. Não pela matéria em si, mas pelo o que as discussões em aula me deixam a refletir. Até o professor que dá Geografia Física me faz embarcar nas viagens dele e me dá o que pensar. Ano passado, no Unificado, embora tenha tido Geografia Humana com o Saul, que é um excelente professor, me dava sono e não raro matava várias aulas. Bem, não passei no vestibular. Não me abalo, pois não merecia mesmo. Mas este ano, no Objetivo, é diferente. Não vou fazer propaganda de Cursinho porque é patético. Mesmo se tu fizer um curso popular e te empenhar, ou se estudar por conta e dar tudo de si, tu vai passar. Eles te dão só a base, o resto depende de ti. Mas cara, as aulas de geografia é o que me faz pensar que mesmo dormindo só 5 horas por noite tem valido a pena... Ok, não necessariamente fico divagando sobre a matéria crua (eu tento, pelo menos), mas sobre algum comentário que o Maurinto fez. Como ele mesmo diz, 'às vezes eu falo coisas para mim mesmo e deixo vocês com a cabeça deste tamanho'. É verdade, mas é exatamente disso que eu gosto. É isso que torna a aula dele especial e o motivo de não matar as aulas de segunda, e ficar péssima quando é a semana em que trabalho até as 19h. Com certeza estas aulas (e suas reflexões) vão ser o marco deste ano...
Ontem ele comentou que os cursos mais questionadores (como História, Geografia e Jornalismo), o Estado recolheu ao bairro Agronomia. Assim dificulta a possibilidade de uma manifestação, já que o Campus do Vale e da Saude ficam quase em Viamão, tão distante do centro de Porto Alegre...
Fiquei viajando nas ideias dele... e não é que faz sentido??
Não a questão geográfica - da qual não discordo em absoluto -, o que me chamou a atenção foi a ideia dos cursos, dos questionamentos, das manifestações...
Tudo bem, meio mundo está careca de saber que Jornalismo é a minha praia, aliás, antes de qualquer coisa, quem me convenceu disso foram meus próprios amigos e conhecidos, isso na época em que ainda queria fazer vestibular para medicina. Imagina! Medicina, logo eu! Enfim, mas mesmo depois de ter me decidido pela carreira dos meus sonhos, nunca tinha percebido a importância da curiosidade na minha vida. Sim, sou questionadora ao extremo. Todos os dias me pego pensando em porque o mundo é assim, em como viemos parar aqui e nos motivos que nos levaram a deixar isso acontecer. Uma constante crise existencial, não apenas acerca de mim, mas do mundo todo. É um questionamento amplo, uma visão geral de um todo que me rodeia. Claro que se formos fracionar (odeio esta palavra porque me lembra matemática! Existe coisa mais prática e sem graça que matemática?? 2+2 é igual 0 e ponto final. Não há espaço para questionamentos mais profundos. Perdoem-me os colegas das exatas, mas sabe como é, essa tal liberdade de expressão...) esta grande questão, daí surgirão diversas duvidazinhas, mas não quero adentrar neste campo delicado.
O Maurinto (grande Maurinto! Baita professor e puta ser humano!) também explicou mais ou menos o quanto nossa civilização está a um tênue véu da barbárie. Usou o ótimo Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago, para exemplificar. Até me deu vontade de tornar a ler este livro... no intervalo troquei uma ideia com uma colega sobre o contexto e disse a ela que o que se pode dizer desta obra do Saramago é exatamente o que se vê ao folhear rapidamente o livro: sem diálogo, linguagem crua, clara e direta. Dá a impressão de que o autor engatou na primeira e foi embora. A vontade que tive ao começar a ler também foi esta: não precisar parar de ler até o final do livro. Alguns conhecidos acharam o texto cansativo, massante. Para mim foi extremamente revelador. O caos que o livro reproduz é o mais próximo do que acredito que será o nosso futuro. Eu diria fim dos tempos, mas analisando mais tecnicamente, o termo que melhor se encaixa deve ser algo como 'recomeço dos tempos'. Como dizia minha avó, 'a dor ensina a gemer', e é fato que nos tornamos mais humanos em momentos de fatalidade. Basta abrir o jornal e ler sobre as catástrofes que vem se abatendo sobre os quatro cantos. Sempre têm os heróis anônimos, pessoas que se sacrificam em nome de outras, ou nem precisam morrer, né?! As ondas de doações que enviamos a outros estados após enchentes e deslizamentos, o choque e vontade de ajudar países arrasados pelas mais variadas tragédias naturais, o luto em massa em compadecimento das famílias que perderam suas meninas no massacre do Realengo. Tudo isso me faz pensar que o ser humano não pode ser assim tão ruim, e que talvez o fim de certos recursos que nos dão comodidade e a queda dos muros que ao longo da vida fomos construindo em torno de nós possa ser o pontapé inicial para uma espécie de Reforma Mundial, ou algo que o valha. Pode ser apenas uma utopia, mas quem sabe a humanidade aflore depois da tempestérie?
Mas como tudo, estas informações na qual me baseio também têm uma contrapartida: como pode ser tão fácil catar roupas, alimentos e calçados e mandar à pessoas em outros estados e cidades, e ser tão penoso estender a mão ao mendigo que dorme na calçada da nossa rua? O que o cara que pede um lanche no sinal tem de pior do que o outro que perdeu tudo numa enchente ou terremoto? Só porque ele talvez não tome banho? Porque cheire mal e não se expresse corretamente com a lingua portuguesa? Quem sabe o discriminamos porque o comparamos a um molambo humano, que vai de lixão em lixão se alimentando dos restos que 'generosamente' colocamos no lixo de casa. Mas como sabiamente explicou meu professor, como podemos cobrar a mesma percepção de vida de uma pessoa que vive à margem da sociedade? Aliás, que sociedade? Pode-se chamar sociedade quem põe fogo em homossexuais? Ou quem atira água fervendo em crianças moradoras de rua (esta eu li no livro "Abusado", do meu ídolo Caco Barcelos)? Talvez os políticos que nos roubam e nos enrolam descaradamente todos os dias, muitas vezes visto à exaustão em rede nacional? Que sociedade errática e distorcida esta em que vivemos, meu Deus? Onde vamos parar se continuarmos assim? Quem sabe em cenas como no filme O Livro de Eli, visão apocaliptica mais real do que o chão se abrindo e engolindo Manhatan. Matar por um pouco de água saloba me parece mais razoável do que tsunamis de 100m de altura. Perdoe meu raciocínio pouco otimista, mas esta é a mera opinião de uma jovem que nem graduação possui ainda.
Inacreditável como homens que outrora inventaram a roda e conseguiram dominar o fogo (e sobreviveram em condições muito menos propícias que as atuais) regrediram a tal ponto em que se faz necessário uma revanche da Natureza, depois de tanto levar 'porrada'. Inacreditável, aliás, é pouco. Nos tornamos bárbaros outra vez, e desta vez sem razão, pois a ignorância de antigamente já perdemos a muito tempo. Hoje somos capazes de coisas que deixariam nossos ancestrais de cabelo em pé. Não quero me estender (mais) neste assunto, isso daria um caderno inteiro (se isto fosse um caderno). Mas viram como sou questionadora? Não é qualquer resposta que me satisfaz, ou opinião que me convence. Tenho uma percepção apurada das coisas, aliás, a mesma percepção que minha filha de 8 aos possui. A mesma percepção que todos temos se pararmos para pensar na merda que está sendo feita. Guerras motivadas por poder e dinheiro, como na Líbia e no Rio de Janeiro (basta de negar que o Rio está em Guerra civil, é inútil diante do que vemos horrorizados, todos os dias, na televisão), o grande abismo que há entre as classes sociais, o mundo se encaminhando lentamente para algo desconhecido e assustador, pessoas matando outras por motivos fúteis. Não precisa de terremotos, tornados e mais nenhuma intervenção da natureza, vamos nos matar uns aos outros, e os que sobreviverem, Deus tenha piedade de nós. Que ironia, em plena Globalização, onde estamos conectados com o resto do mundo a um clique do mouse, é justamente agora que estamos cada vez mais sós, mais enjaulados em nossos mundinhos paralelos. E é essa solidão, essa falta de humanidade, que vai acabar por nos destruir, e nos fazer começar do zero. Termino com a sábia frase de João Guimarães Rosa, que encerra o livro Grande Sertão: Veredas. Não saberia me expressar melhor...
"O diabo não existe não, senhor. O que existe mesmo é o homem humano"