Será que sou só eu, ou todos também sentem saudade do passado??? Às vezes me sinto tão nostálgica que chega a doer fisicamente...
Sinto saudade de uma época em que eu era feliz e não sabia, e apesar de algumas coisas desagradáveis que aconteceram naquele tempo, sei que já passou e que olhar pra trás não é certo... Me lembro de quando eu era criança e não precisava me importar em levantar cedo pro trabalho, que não tinha contas a pagar e que não percebia o quanto o mundo poderia ser hostil... Um tempo em que tudo era brincadeira, e hoje me parece engraçado até mesmo as vezes em que levava uma surra ou um puxão de orelha. Sinto falta do colégio e dos amigos da 5ª série, da turma 55 do Pacheco Prates, que hoje já não são mais os mesmos, e se são, não poderia saber, já que perdi contato com quase todos... Saudade do tempo em que detestava educação física e educação artística, saudade das farras e brincadeiras, das bandas 'covers' dos Backstreet Boys e Spice Girls que tínhamos no colégio... As mesas e paredes riscadas com errorex, nossos nomes "+ fulano de tal = amor eterno" por toda parte, os bilhetinhos sorrateiramente passados por baixo da classe e o esforço para pertencer a algum grupo. A preocupação com o primeiro beijo, a quantidade infinita de 'questionários' que circulava entre as meninas, as agendas assinadas (eu tinha uma que ficou gorda de tanta assinatura e bilhetinhos que guardava... me dói saber que se extraviou...), as pessoas esquecidas, os beijos roubados... Uma época em que a maior preocupação era estudar um dia antes das provas, somente para não ficar em recuperação; a busca desenfreada atrás de algum colega que tenha feito o trabalho de casa para fazer um resumo do resumo dele; a alegria por ter amigas 'eternas' e os planos do futuro feitas em conjunto ("quando crescermos, vamos alugar uma casa e morarmos juntas, trabalhar no mesmo lugar e sermos madrinhas de nossos filhos"). A certeza de que um dia novo virá e com ele novas esperanças, novos amores, novas amizades, novas encrencas... A Kelly e seus namorados que eu ajudava a encobrir cuidando da irmã mais nova dela, a Katiúsce sempre me defendia quando alguém queria me bater e a Cissa era a amiga mais meiga nas horas complicadas... Os garotos eram todos retardados infantis e nós achávamos que podíamos mudar o mundo. Sonhávamos com um futuro e tínhamos esperanças tolas e objetivos que pareciam tão fáceis de atingir... Jamais imaginávamos que as pessoas que mais amávamos eram justamente as que estavam mais propensas a nos magoar, e que vira e mexe precisaríamos de outras que nem ao menos dávamos atenção à sua existência... Mas nem tudo eram flores. A saudade é mentirosa...
Sinto falta de coisas que estavam diretamente ligadas a outras desagradáveis: o bullying que sofri quando estudei no colégio particular aos 11 anos, as desilusões amorosas que quase me destruíam aos 12, 13, 14 anos, a relação conflituosa com meus pais e padrasto, as notas vermelhas (acompanhadas de sermão e puxões de orelha), os bichinhos de estimação que perdi e matérias que detestava e era obrigada a ter.
Mas o que significam estas coisas mínimas, perto da saudade de um tempo bom que não volta mais, de um lugar que não estaremos outra vez e das atitudes esquecidas com o tempo. A ingenuidade, a felicidade, a irresponsabilidade, a vontade de conhecer, estar, ficar, fazer... Tudo isso sobressai-se sem esforço diante das dificuldades, é uma imagem que descortina-se alegremente na lembrança e nos faz querer voltar no tempo, só mais uma vez, para aproveitar mais e mais cada momento, porque saberíamos então que aquilo seria único, e que seria a última vez...
Mas saudade mesmo eu tenho de certas pessoas, duas pessoas que não voltam mais, e que estranhamente foram me fazer falta justamente agora, quando já deveria ter me acostumado. Pessoas que morreram e que foram pra muito longe, pessoas que fizeram de mim o que sou hoje, e pelas quais sou muito grata por terem dado a oportunidade de me tornar alguém justa, objetiva (tudo bem, às vezes confusa e preguiçosa, mas tanto faz, isso acontece) e com a esperança de um futuro pela frente... mesmo que eu não os tenha mais ao meu lado, sei que de onde estão eles me dão força pra tudo, e justamente por lembrar de onde vim e quem foram meus avós, é daí que tiro a força pra continuar minha vida e ir sempre em busca do melhor... Sinto muito não ter dito o quanto os amava quando podia, mas a gente só aprende mesmo a dar valor quando já não tem a oportunidade...
"Essa é para as pessoas que já perderam alguém: seus melhores amigos, seus filhos, seu homem ou sua mulher; coloque suas mãos bem para cima, nós nunca diremos adeus; não, não, não. Mães, pais, irmãs, irmãos amigos e primos. Essa é para o meu povo que perdeu suas avós, levante sua cabeça ao céu porque nunca diremos adeus. Enquanto criança, houve tempos em que não compreendia, mas você me mantinha na linha. Eu não sabia o porquê você não aparecia às vezes aos domingos de manhã e eu sentia sua falta mas estou feliz que conversamos sobre isso; Todos aqueles problemas de gente grande que as separações trazem você nunca me deixou saber, você nunca demonstrou porque você me amava e obviamente há muito ainda o que dizer se você estivesse aqui comigo hoje, face à face; Eu nunca soube que podia doer tanto e a cada dia que a vida passa eu desejo poder falar com você por um tempo; sinto saudades mas eu tento não chorar enquanto o tempo passa; e é verdade que você atingiu um lugar melhor, mas eu ainda daria o mundo para ver seu rosto e estar bem a seu lado; mas é como se você tivesse ido cedo demais, e agora a coisa mais difícil de fazer é dizer adeus; Você nunca teve a oportunidade de ver o bem que eu fiz; e você nunca teve a chance de me ver de novo em primeiro lugar; eu queria que você estivesse aqui para celebrarmos juntos. Eu queria que pudéssemos passar os feriados juntos; Eu lembro de quando você costumava embalar-me para dormir com o ursinho de pelúcia que me deu e que eu abraçava bem forte. Eu achava que você era tão forte, que iria passar por qualquer adversidade; É tão difícil aceitar o fato de que você se foi para sempre; Eu nunca soube que podia doer tanto e a cada dia que a vida passa eu desejo poder falar com você por um tempo; sinto saudades mas eu tento não chorar, enquanto o tempo passa
Bye Bye, Mariah Carey
Que tempo bom, que não volta nunca mais... :/
domingo, 24 de janeiro de 2010
Postado por Gysaaa_ às 4:30:00 PM
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