Inquietações: INFÂNCIA EM DOIS TEMPOS
totalgifs.com welcome gif gif 16.gif

INFÂNCIA EM DOIS TEMPOS

domingo, 18 de outubro de 2009

Hoje foi um dia atípico pra mim. Geralmente as idéias me fluem naturalmente e qualquer situação me faz querer escrever. Mas hoje tive uma “overdose” de inspirações! Na verdade, mal sei por onde começar... Primeiro decidi parar de escrever como uma retardada viciada em Orkut, MSN e afins e digitar decentemente. Afinal, mesmo sendo um blog basicamente para os amigos, naturalmente outras pessoas irão ler e não quero que tenham uma opinião errada formada sobre minha pessoa (já que dentro em breve pretendo ser uma reconhecida jornalista). Bem, é bom sinalizar que esta reforma ortográfica está me deixando meio louca, tipo (ah, sim, escrever de forma correta não vai me impedir de deixar escapar minhas gírias cotidianas, já que também não quero que este blog seja formal demais... acho que ainda posso fugir de ser “totalmente correta”, ainda nem passei no vestibular!!!), fatalmente irei acentuar ou pôr um hífen de maneira incorreta de acordo com esta reforma, mas como ela só vai valer mesmo a partir de 2012, também me reservo este direito... Vou começar pela situação que me “desencadeou” a onda de “boas-ideias-para-crônicas”. Foi por volta das 19h, na livraria em que trabalho, no Shopping Total. Havia um bate-papo com os autores Hermes Bernardi Jr. E Carlos Urbim, eleito recentemente o Patrono da nossa Feira do Livro deste ano. Como ambos escrevem basicamente livros infantis, falaram muito sobre a infância e a diferença que há entre agora e os tempos antigos... Enquanto eles debatiam, eu devaneava... Sério, juro que voltei a ter 9 anos de idade e até senti o cheiro da grama molhada de minha infância, no sítio em que passei a maior parte da minha vida (pelo menos até 11 meses atrás)... E me peguei comparando os meus dias com o dia-a-dia de minha filha, hoje com 6 anos. E percebi que nunca tinha parado para pensar em como os tempos realmente mudaram, é algo quase físico, tamanho o choque! Sou filha única de uma mulher que também era filha única, portanto, única neta do casal que praticamente me criou. Morávamos num sítio que fica no bairro Belém Velho, uma zona quase rural (ao menos até hoje considero assim minha antiga rua, a Antônio Borges – quem mora lá não me deixa mentir). Com exceção de uma vizinha que beirava a minha idade e era minha colega no colégio, eu era sozinha. E nunca me incomodei com isso, ao menos não me recordo. Sabia brincar perfeitamente sozinha, e a TV teve um papel fundamental naquela época: como disse um dos palestrantes hoje, ela era minha “babá eletrônica”. Era com ela que passava a maior parte do tempo, e adorava programas mais “culturais”, como o extinto “ O Mundo de Beackman” (quem se lembra deste? Se alguém não sabia minha idade, acabei de revelá-la). Anotava todas as experiências que ele e seus assistentes Lisa e o rato Lester faziam e as repetia mais tarde ou no dia seguinte. Uma vez cheguei a apresentar uma delas na Feira de Ciências do colégio e ganhei um A. O Castelo Rá-tim-bum também fez parte de mim, e os “Os Cavaleiros do Zodiaco” fazem até hoje. E tinham também aqueles programas “japas” tipo Patrine, Jiraya, Solbrain, Saylor Moon e cia. Que eram os meus preferidos! Mas sobretudo adorava brincar de “enfermeira”. Fingia que alguma árvore tinha alguma doença ou que meu cachorro (e felizmente eu tinha um cachorro de verdade, não precisava inventar um) estava com algum problema e só eu podia curá-lo. Uma vez quase o matei: juntei um monte de ervas, que naturalmente eu desconhecia, misturei tudo com água fervente (eu era criança, mas sabia que para fazer chá a água tinha de estar em ponto de ebulição) e dei aquela fusão à ele. Meu vô padeceu para fazê-lo se recuperar. E a partir daí nunca mais dei nada para nenhum ser vivo ingerir... Inventava brincadeiras não sei de onde e me divertia horrores! Acho que meus avós até esqueciam que tinha criança em casa, pois ficava horas absorta em alguma “função”. Obviamente ser tão sozinha me causou algum distúrbio (esta é a palavra correta?), e eis que comecei a conversar sozinha. Veja bem, eu disse conversar, não falar, até porque falar sozinha é algo que faço até hoje, mas de fato inventava que meus amigos do colégio estavam comigo (isso em época escolar, antes da escola geralmente era alguém dos Cavaleiros, como o Seya e o Yoga, que eu achava mais “gatos” – nossa, não acredito que escrevi isso...) e conversava feito um papagaio. Logicamente fui percebendo que pessoas que conversam sozinhas não são bem interpretadas e fui abandonando esta prática, não antes de ser pega uma ou duas vezes por minha mãe, o que foi bastante constrangedor... Mas nunca inventei amigos (tipo amigos imaginários mesmo, era meio demente... mas nem tanto!), todos eram de carne e osso (Cissa, Kelly e Katiúsce, se um dia lerem isto – e não sei se realmente gostaria que vocês lessem – saibam que estiveram mais tempo comigo do que realmente souberam... hihi) e os conhecia bem. Hoje presto atenção na Mel: ela dificilmente brinca sozinha, qualquer coisa a deixa entediada e ela não fica totalmente satisfeita se alguém não a estiver escutando ( e eu digo “realmente” escutando). Ela precisa de uma boneca/papel e caneta/computador para se divertir, e estes objetos são uma exigência, não uma opção. Sem falar que as bonecas têm de fazer algo, qualquer coisa “sobrenatural” (não se precisam mais de crianças, eles já as fazem em fábricas, pois estas bonecas choram, falam, fazem xixi e algumas até sabem outra língua e crescem (sério, nas Americanas tem uma que cresce 5 ou 10 cm! Coisa do capeta!), o computador tem de ter internet (para ela entrar no jogosparameninas.net.com) e uma infinidade de jogos amalucados para uma menina de seis anos e todos os filmes da Era do Gelo, Shrek e Deu a Louca na Cinderela e Deu a Louca na Chapeuzinho. Ela ama! É uma criança totalmente virtual e tecnologicamente instruída. Tá, meu namorado é técnico em informática e pode ser que ele a influencie um bocado, mas ela mal sabe ler e conhece cada comando do computador para o que ela quiser, e tem um conhecimento assombroso em utilizar o Google e outras ferramentas de busca. Acho que ela deve ter algum sexto sentido ou algo assim... crianças índigo, não é assim que chamam crianças tipo a minha filhinha de apenas 6 aninhos? Nossa, elas são assustadoras... Mas mesmo com essa parafernália toda e tanta informação a um clique do mouse, me pergunto se teria sido mais feliz se fosse criança nestes tempos do que fui lá em 95, 96. Só as lembranças de minhas invenções me fazem rir de doer o estômago e me trazem bons momentos de volta, então sei que a resposta é que cada um tem seu tempo, nasce e cresce com aquilo que é o seu mundo no momento, e os mundos meu e da Mel são simplesmente diferentes demais para querer fazer comparações. Vi o celular nascer, praticamente, com todo aquele tamanho e pesando uns 20 quilos (ok, exagero é meu nome) e ela provavelmente vai crescer lendo seus livros preferidos em um ebook (que idéia pavorosa! Sou totalmente antiquada e viciada no cheiro e no farfalhar das páginas dos livros ao serem viradas...), então desisto de tentar entender este mundo doidão e paro por aqui porque tenho mais o que fazer (checar meus emails, responder recados no Orkut, postar este texto no blog, entrar no MSN, dizer o que estou pensando/fazendo no Twitter, adicionar aplicativos no Facebook... o quê? Não disse que não curto tecnologia, apenas que não curtiria trocar minhas brincadeiras de infância por ela. Mas hoje tenho 23 anos e lembranças de uma infância muito feliz, portanto me dou o luxo de ficar “conectada” ao mundo da minha filha, afinal, alguém tem que assisti-la, né?).

0 comentários: