Inquietações: 2009
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domingo, 18 de outubro de 2009

Até que ponto é natural pessoas normais ( mas o que seriam pessoas normais???) se envolverem com uma história de ficção? Isso nunca havia me preocupado até hoje, na verdade nunca pensei o quanto pudesse ser perigoso alguém se perder de fato nas páginas de um livro – pirar mesmo na batatinha, sair da casinha, pirar – e ficar sem noção por um minuto que seja. Algumas horas atrás me aconteceu algo sinistro...

Quem me conhece sabe o quanto sou totalmente viciada e obcecada por livros, li tanta coisa que ás vezes até me é um pouco complicado armazenar sem confusão todos os dados e informações que absorvo a cada nova obra lida, como se meu cérebro não conseguisse mais guardá-las sem atropelos e um pouco de raciocínio, precisando pensar um pouco antes... Uma vez um ex me disse que um dia enlouqueceria com tanta informação... será que estou começando a pirar de fato? Bem, o caso é que como leio muito e desde muito cedo, já li, literalmente, de tudo e mais um pouco (não tanto quanto ainda gostaria de ter lido). Trabalho em um local um tanto seletivo, onde pessoas de certo nível cultural (não estou desmerecendo ninguém, longe disso, apenas tentando explicar o tipo de pessoas com as quais convivo) frequentam e onde tenho fiéis clientes, que hoje posso até chamar de amigos, e sei que as próximas linhas chocarão (e talvez até decepcionarão) alguns deles. Paulo, Johnny, Ander e Alex, principalmente, sugiro que não continuem esta leitura. Sabe, detestaria decepcioná-los, mas o que está escrito abaixo talvez os façam perceber que não sou o “gênio” que vocês acham, ao menos leio coisas normais também e isto pode não agradá-los...

Como toda jovem, sou “twilighter” assumida. Li e comprei todos os livros da série Crepúsculo e sou fã incondicional de Stephenie Meyer. É uma história sem pé nem cabeça, eu sei, totalmente fora da realidade e acho que é exatamente isso o que a torna tão fantástica. A “tia Steph” conseguiu tirar a maioria das pessoas que leram seus livros de uma vida massiva, agitada e estressante e jogá-las num mundo totalmente mágico, com personagens encantadores e fazê-las sentir por um instante a leveza de ser criança novamente, mergulhar em um livro e se deixar levar pelas palavras. Conheço pessoas que simplesmente não apreciavam (algumas continuam não apreciando) a leitura da mesma maneira que eu por exemplo, e devoraram os livros desta série, alguns até se “arriscaram” a começar a ler outros títulos. Poxa, todos sabemos que é uma história de ficção, sabemos também que é (ou pelo menos era pra ser) para uma faixa-etária exclusiva – a infanto-juvenil - , e que muitos adultos se constrangem ao admitir que leram e, principalmente, que gostaram.

Eu, pessoalmente, não curto muito Best-Sellers. Não é preconceito, na verdade não sei o que é, mas mesmo que os leia não me sinto a vontade em aceitar isso perante pessoas que sabem que leio autores conceituados como Dostoiévski, Tolstói e Schopenhouer, que adoro Machado de Assis, Milton Hatoun e Érico Veríssimo, que meu poeta preferido é Fernando Pessoa (em especial seu heterônimo modernista, Álvaro de Campos) seguido de perto por Drummond, Vinícius de Moraes, Pablo Neruda e Mário Quintana (claro!). Pode ser infantilidade minha, mas estas pessoas criam uma imagem em cima de mim que me faz sentir – como direi... - “trapaceira” caso leia outra coisa, e mesmo que diga não, é claro que me preocupo com o que pensam de mim. Sei que passo a imagem de ser aquela “punk-rock porra-louca” que não se importa com ninguém, ás vezes até sou (meu “eu” é dividido por fases), mas como todo mundo também quero ser aceita, e quando as pessoas (principalmente pessoas próximas, que estimo) me idealizam em cima das obras que leio, elas me limitam somente àquele tipo de leitura, e me sinto em dívida com elas por ler também romances infanto-juvenis e me identificar pacas com eles.

Pois bem, amo crepúsculo sim, e dificilmente uma ficção me fez sentir tão leve quanto esta. Depois da trilogia de “O Tempo e o Vento”, de longe meu livro preferido, o que faz Érico Veríssimo figurar num alto patamar nos meus melhores conceitos literários, este romance totalmente inverossímel me pegou desprevenida e ganhou meu coração.

Seguindo esta linha “sei-que-isto-não-existe-mas-adoro”, estou agora lendo uma outra coleção bem parecida em termos de inverossimilhança, porém diferente em vários aspectos, e que está me tirando o fôlego: Marcada e Traída, da série “House of Night” (Morada da Noite, em português). Terminei o primeiro (Marcada) nesta segunda e já estou na metade da continuação (Traída). Sei que no exterior já foram lançados o terceiro e o quarto, mas acredito que ainda não tenha previsão para lançá-los no Brasil. E já estou ultra ansiosa! Este é com certeza mais eletrizante que crepúsculo, tem cenas em que tu perde o fôlego (ao menos no Traída). Lá pela página 135 (assim como anteriormente na 36 ), cheguei a ficar sem respirar – literalmente, tamanha a adrenalina dos acontecimentos, me senti exatamente como a personagem, cada músculo meu respondeu ao que Zoey dizia estar sentindo. Quando recuperei o fôlego, me senti a mais imbecil das criaturas (fala sério, perder o fôlego devido a uma leitura comum!!!), e em seguida caí na risada! Sério, este livro é bom mesmo, se não fosse certamente eu não estaria me expondo assim (ok, tenho MESMO que parar de tentar esconder quem eu sou, todos sabem que sou eclética, e, bem, leio o que eu quiser, né?!). As autoras se chamam P. C. Cast e Kristin Cast, respectivamente mãe e filha, o que achei uma peculiaridade muito bacana. A história é escrita de forma leve, com um toque sutil de sensualidade (ao menos no primeiro, visto que o segundo é mais pesado – porém não vulgar), ironia, jovialidade e muito humor. Romance ás pencas também, é claro. E os detalhes do lugar (a tal Morada da Noite, uma espécie de “escola” que treina futuros vampiros, onde lecionam equitação, esgrima, Tae Kwon Do e sociologia vampírica no lugar de matemática, química e geografia) realmente me fizeram desejar ser marcada e me mandar deste mundo hostil e dolorido (nossa, que irônico...). Acho que essa é a moral dos livros, todos querem se esconder da realidade, esta vida mundana não nos apetece e nos dá marcas bem diferentes das do história que estou lendo... são marcas que não nos são presenteadas por uma Deusa que nos acha fortes para entrar num mundo cheio de mistérios, e sim conseqüência de uma vida difícil. Todos estamos aqui para aprender, é óbvio, se não fosse isso nada mais faria sentido, mas como seres humanos (muitas vezes erráticos) gostaríamos de poder dar uma fugida da realidade que nos cerca, dar um pulinho em Forks ou na Morada da Noite, ver como são as coisas por lá e voltar para nosso dia-a-dia mais leves, menos estressados. Então chego a conclusão de que esta é a real razão pela qual, ao menos eu, desperto tanta afeição por histórias outrora bobinhas, sem sentido, mas que me anestesiam ao menos por uns minutos do meu dia de jovem trabalhadora em busca de um lugar ao sol. A Bella lembra muito a mim pelo jeito maduro de ser desde cedo (hoje não sei se algum dia fui realmente uma adolescente, criança sim, mas a etapa intermediária entre a infância e a idade adulta talvez me tenha sido tirada rápida demais...aprendi muito cedo a sofrer por amor – sofrer no sentido mais amplo e maduro da palavra - , familia complexa, perdas irreparáveis e responsabilidades cedo demais para um ombro tão pequeno...) e até pelas trapalhadas... E Zoey por querer se encaixar em algum lugar, por estar perdida nela mesma e pelos conflitos maternos... Livros são feitos para isso mesmo, e não importa sua idade, e sim o que cada leitura provoca em você. É só não confundir nossas vidas com as dos personagens (sério, muita gente faz), aí é que me pergunto o quanto pode ser perigoso cruzar o tênue véu da sanidade que há quando lemos uma história que gostaríamos que fosse a nossa...

Estou ensaiando escrever um livro, nada pretensioso demais, apenas um romance de valores para minha filha ler quando for adolescente e não quiser escutar sua mãe. É uma maneira de eu mostrar a ela, de forma agradável e menos invasiva, uma forma de refletir sobre atitudes, decisões e até de impregnar nela a idéia de que quando um adulto não puder compensar suas dúvidas, um livro certamente pode fazê-lo. O nome do livro será “Fuga!”, sugestivo, eu sei. É esta a intenção. Fala sobre duas adolescentes bem típicas, uma preocupada com o visual, garotos e sua rodinha de amigos superpopulares (mas nem por isso vilã), exatamente como muitos de meus amigos e pessoas que conheço às pencas, e outra (autobiográfica, confesso) preocupada em entender o mundo e suas relações, mas também não uma completa alienada (também curte roupas de marca, apesar de ser indiferente tê-las quando estão na moda ou não), e é exatamente nesta, que tem muito de mim e do que eu gostaria que a Mel também tivesse daqui alguns anos, que eu gostaria que minha filha se espelhasse, evitando assim de fazer escolhas incertas nas quais se arrependerá futuramente. Quero que ela seja uma boa garota e esta personagem falará por mim quando eu não puder... é isto que espero, ao menos.

INFÂNCIA EM DOIS TEMPOS

Hoje foi um dia atípico pra mim. Geralmente as idéias me fluem naturalmente e qualquer situação me faz querer escrever. Mas hoje tive uma “overdose” de inspirações! Na verdade, mal sei por onde começar... Primeiro decidi parar de escrever como uma retardada viciada em Orkut, MSN e afins e digitar decentemente. Afinal, mesmo sendo um blog basicamente para os amigos, naturalmente outras pessoas irão ler e não quero que tenham uma opinião errada formada sobre minha pessoa (já que dentro em breve pretendo ser uma reconhecida jornalista). Bem, é bom sinalizar que esta reforma ortográfica está me deixando meio louca, tipo (ah, sim, escrever de forma correta não vai me impedir de deixar escapar minhas gírias cotidianas, já que também não quero que este blog seja formal demais... acho que ainda posso fugir de ser “totalmente correta”, ainda nem passei no vestibular!!!), fatalmente irei acentuar ou pôr um hífen de maneira incorreta de acordo com esta reforma, mas como ela só vai valer mesmo a partir de 2012, também me reservo este direito... Vou começar pela situação que me “desencadeou” a onda de “boas-ideias-para-crônicas”. Foi por volta das 19h, na livraria em que trabalho, no Shopping Total. Havia um bate-papo com os autores Hermes Bernardi Jr. E Carlos Urbim, eleito recentemente o Patrono da nossa Feira do Livro deste ano. Como ambos escrevem basicamente livros infantis, falaram muito sobre a infância e a diferença que há entre agora e os tempos antigos... Enquanto eles debatiam, eu devaneava... Sério, juro que voltei a ter 9 anos de idade e até senti o cheiro da grama molhada de minha infância, no sítio em que passei a maior parte da minha vida (pelo menos até 11 meses atrás)... E me peguei comparando os meus dias com o dia-a-dia de minha filha, hoje com 6 anos. E percebi que nunca tinha parado para pensar em como os tempos realmente mudaram, é algo quase físico, tamanho o choque! Sou filha única de uma mulher que também era filha única, portanto, única neta do casal que praticamente me criou. Morávamos num sítio que fica no bairro Belém Velho, uma zona quase rural (ao menos até hoje considero assim minha antiga rua, a Antônio Borges – quem mora lá não me deixa mentir). Com exceção de uma vizinha que beirava a minha idade e era minha colega no colégio, eu era sozinha. E nunca me incomodei com isso, ao menos não me recordo. Sabia brincar perfeitamente sozinha, e a TV teve um papel fundamental naquela época: como disse um dos palestrantes hoje, ela era minha “babá eletrônica”. Era com ela que passava a maior parte do tempo, e adorava programas mais “culturais”, como o extinto “ O Mundo de Beackman” (quem se lembra deste? Se alguém não sabia minha idade, acabei de revelá-la). Anotava todas as experiências que ele e seus assistentes Lisa e o rato Lester faziam e as repetia mais tarde ou no dia seguinte. Uma vez cheguei a apresentar uma delas na Feira de Ciências do colégio e ganhei um A. O Castelo Rá-tim-bum também fez parte de mim, e os “Os Cavaleiros do Zodiaco” fazem até hoje. E tinham também aqueles programas “japas” tipo Patrine, Jiraya, Solbrain, Saylor Moon e cia. Que eram os meus preferidos! Mas sobretudo adorava brincar de “enfermeira”. Fingia que alguma árvore tinha alguma doença ou que meu cachorro (e felizmente eu tinha um cachorro de verdade, não precisava inventar um) estava com algum problema e só eu podia curá-lo. Uma vez quase o matei: juntei um monte de ervas, que naturalmente eu desconhecia, misturei tudo com água fervente (eu era criança, mas sabia que para fazer chá a água tinha de estar em ponto de ebulição) e dei aquela fusão à ele. Meu vô padeceu para fazê-lo se recuperar. E a partir daí nunca mais dei nada para nenhum ser vivo ingerir... Inventava brincadeiras não sei de onde e me divertia horrores! Acho que meus avós até esqueciam que tinha criança em casa, pois ficava horas absorta em alguma “função”. Obviamente ser tão sozinha me causou algum distúrbio (esta é a palavra correta?), e eis que comecei a conversar sozinha. Veja bem, eu disse conversar, não falar, até porque falar sozinha é algo que faço até hoje, mas de fato inventava que meus amigos do colégio estavam comigo (isso em época escolar, antes da escola geralmente era alguém dos Cavaleiros, como o Seya e o Yoga, que eu achava mais “gatos” – nossa, não acredito que escrevi isso...) e conversava feito um papagaio. Logicamente fui percebendo que pessoas que conversam sozinhas não são bem interpretadas e fui abandonando esta prática, não antes de ser pega uma ou duas vezes por minha mãe, o que foi bastante constrangedor... Mas nunca inventei amigos (tipo amigos imaginários mesmo, era meio demente... mas nem tanto!), todos eram de carne e osso (Cissa, Kelly e Katiúsce, se um dia lerem isto – e não sei se realmente gostaria que vocês lessem – saibam que estiveram mais tempo comigo do que realmente souberam... hihi) e os conhecia bem. Hoje presto atenção na Mel: ela dificilmente brinca sozinha, qualquer coisa a deixa entediada e ela não fica totalmente satisfeita se alguém não a estiver escutando ( e eu digo “realmente” escutando). Ela precisa de uma boneca/papel e caneta/computador para se divertir, e estes objetos são uma exigência, não uma opção. Sem falar que as bonecas têm de fazer algo, qualquer coisa “sobrenatural” (não se precisam mais de crianças, eles já as fazem em fábricas, pois estas bonecas choram, falam, fazem xixi e algumas até sabem outra língua e crescem (sério, nas Americanas tem uma que cresce 5 ou 10 cm! Coisa do capeta!), o computador tem de ter internet (para ela entrar no jogosparameninas.net.com) e uma infinidade de jogos amalucados para uma menina de seis anos e todos os filmes da Era do Gelo, Shrek e Deu a Louca na Cinderela e Deu a Louca na Chapeuzinho. Ela ama! É uma criança totalmente virtual e tecnologicamente instruída. Tá, meu namorado é técnico em informática e pode ser que ele a influencie um bocado, mas ela mal sabe ler e conhece cada comando do computador para o que ela quiser, e tem um conhecimento assombroso em utilizar o Google e outras ferramentas de busca. Acho que ela deve ter algum sexto sentido ou algo assim... crianças índigo, não é assim que chamam crianças tipo a minha filhinha de apenas 6 aninhos? Nossa, elas são assustadoras... Mas mesmo com essa parafernália toda e tanta informação a um clique do mouse, me pergunto se teria sido mais feliz se fosse criança nestes tempos do que fui lá em 95, 96. Só as lembranças de minhas invenções me fazem rir de doer o estômago e me trazem bons momentos de volta, então sei que a resposta é que cada um tem seu tempo, nasce e cresce com aquilo que é o seu mundo no momento, e os mundos meu e da Mel são simplesmente diferentes demais para querer fazer comparações. Vi o celular nascer, praticamente, com todo aquele tamanho e pesando uns 20 quilos (ok, exagero é meu nome) e ela provavelmente vai crescer lendo seus livros preferidos em um ebook (que idéia pavorosa! Sou totalmente antiquada e viciada no cheiro e no farfalhar das páginas dos livros ao serem viradas...), então desisto de tentar entender este mundo doidão e paro por aqui porque tenho mais o que fazer (checar meus emails, responder recados no Orkut, postar este texto no blog, entrar no MSN, dizer o que estou pensando/fazendo no Twitter, adicionar aplicativos no Facebook... o quê? Não disse que não curto tecnologia, apenas que não curtiria trocar minhas brincadeiras de infância por ela. Mas hoje tenho 23 anos e lembranças de uma infância muito feliz, portanto me dou o luxo de ficar “conectada” ao mundo da minha filha, afinal, alguém tem que assisti-la, né?).

domingo, 4 de outubro de 2009

Longe de mim plagear algo que alguém se inspirou tanto a escrever, portanto, mesmo reproduzindo exatamente o que esta pessoa excepcional escreveu, dou a ela todos os créditos, principalmente por ser sua fã incondicional e por ela ter escrito esta crônica e eu ter me identificado tanto com ela. Li-a no livro chamado "Cronicas da Vida" e tentei pensar em algo do tipo para escrever, visto que também li o livro referido e senti as mesmas sensações... Mas cadê outras palavras para descrever exatamente aquilo que minha cronista preferida já havia dito, e justamente com as palavras corretas??? Decidi, então, copiá-la para meu blog. Seria perda de tempo tentar escrever meus sentimentos se outra pessoa já os escreveu por mim. E aqui está o texto maravilhoso com o qual me identifiquei tanto... P.S: Sou fã da Martha Medeiros desde que li a crônica "A moça docarro azul" e depois dezenas de outros. Para quem tiver curiosidade, sugiro o ótimo "Trem-Bala", da LePM Pocket, além de ser maravilhoso (tem cronicas lindíssimas!!!) é de preço bem acessível e dá pra levar na bolsa... Quando me tornar jornalista, quero ter inspiração que nem ela, para transformar meras cronicas em poesia pura... Fui uma aluna, digamos, razoável. Tirava notas boas, passava quase sempre por média, mas era desinteressada. Estudava o suficiente para passar de ano, mas não aprendia de verdade. Bastava alcançar as notas que me aprovariam para, instantaneamente, tudo o que havia sido decorado evaporar da minha cabeça. Não tenho orgulho algum em contar isso, me arrependo bastante de não ter prestado atenção pra valer nas aulas e de não saber mais sobre história, em especial. Mas foi assim. E só fui compreender as razões deste meu desligamento agora, ao ler "Cartas ao pai", de Franz Kafka. Nesta carta (editada pela coleção de bolso da L&PM), ele a certa altura admite que estudou mas não aprendeu nada, apesar de sua memória mediana e de uma capacidade de compreensão que não era das piores. Considerava lastimável o que lhe havia ficado em termos de conhecimento. Disse mais ainda, e nisso exagerou: que seus anos na escola haviam sido um desperdício de tempo e dinheiro. Não é pra tanto, estudar nunca é um desperdício, mas quando li esta confissão audaciosa eu quis saber mais. Por que isso, afinal? A justificativa: ele sempre teve uma preocupação profunda com a afirmação espiritual da sua existência, a tal ponto que todo o resto lhe era indiferente. Há em "afirmação espiritual da existência" solenidade demais para descrever a menina que fui, mas era mais ou menos assim que a coisa se dava. O que eu queria aprender de verdade não passava nem perto do quadro-negro. O que me interessava - e interessa até hoje - eram as relações humanas, e tudo de mágico e de trágico que elas representavam numa vida. No caso, a minha vida. Entre os 7 e os 17 anos, eu tinha urgência em estudar o caminho mais curto para ser amada. A escola era como um país estrangeiro. Pela primeira vez eu não estava em casa, nem em segurança. Tinha que aprender como fazer amizades e mantê-las, como demonstrar emoções sem me fragilizar, como enfrentar agressões sem cair em prantos, como explicar todas as minhas idéias sem me contradizer, como ser honesta e ao mesmo tempo não ofender os colegas, e nisso gastei infindáveis manhãs e tardes prestando atenção em mim e nos outros - pouco nas lições. Havia um pátio, havia um bar, havia um portão fechado, havia os banheiros e a biblioteca, e tudo era desafiador. Eu tinha que descobrir em mim a coragem para quebrar certas regras, fumar escondido, namorar. Ficava muito atenta às diferenças entre sabedoria e hierarquia: não era possível que os professores estivessem sempre certos e os alunos, errados. E as matérias me pareciam tão inúteis... Matemática, química e física me eram desnecessárias, eu queria saber sobre teatro, música, filosofia, psicologia, sexo, paixão, eu queria entender o que me fazia ficar zangada ou em êxtase, eu queria aprender mais sobre melancolia, desespero, solidão, eu tinha especial atração pelas guerras familiares e pelas mentiras que sustentam a sociedade, eu queria ter conhecimento sobre ironia, ter domínio sobre o pensamento, entender por que alguns gostavam de mim e outros me esnobavam, lutar contra o que me angustiava. Inocente, queria saber como se fazia para ter certezas. Eu, que tirava nota máxima em bom comportamento, precisava urgentemente que me explicassem o que fazer com o resto de mim, com aquilo que eu não usufruía, a parte errada do meu ser. "Afirmação espiritual da existência". Da escola saí faz tempo, mas nunca parei de me estudar. E Kafka, quem diria, acabou dando um bom professor. Muito obrigado, Martha, por traduzir tão bem meus sentimentos,ainda que não me conheça...

AMIZADES!!!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Pessoas vêm e vão todos os dias, umas passam por nossa vida sem nem ao menos fazer diferença, outras deixam profundas marcas... a estas damos o nome de amigos.
Amigos também podem ser classificados: existem os amigos estrelas e os amigos cometas...
Os amigos cometas passam por nossa vida, deixam sua marca, mas a mesma se encarrega de levá-los para longe de nós, e assim resta somente a lembrança da boa amizade que foi (ou não)...
Mas existem também os amigos estrelas, estes sim são como parte de nós, pessoas que nos são caras e que fazem parte da gente como se fossem realmente um pedaço de nós... A vida até pode armar das suas, levar para longe, dificultar com a distância e a correria sem fim do dia-a-dia deste mundo louco, mas mesmo a distância e os demais obstáculos não apagam estas amizades... Esteja longe ou perto, sabemos eles estão lá, e estarão para sempre, brilhando na nossa vida e no nosso coração, onde as lembranças podem ser reavivadas num reencontro, mesmo que breve...
Tenho muitos amigos. Muitos cometas (admito, mesmo que me custe), poucos estrelas, mas estes são a família que Deus me deu a oportunidade de escolher e agradeço a Ele todos os dias por este presente...
A maioria dos amigos estrelas que tenho são de infância, mais precisamente daquela época dos terríveis 12, 13 anos. Mas ainda hoje encontro amigos fiéis, alguns regados a longas conversas e que se tornam amigos com o tempo, e outros cujo bate aquela afinidade de súbito e simplesmente acontece!!!
Assim foi ontem, em pleno expediente, quando conheci um cara extraordinariamente inteligente e humilde (sim, os dois juntos em uma só pessoa! Incrível!!!). Ele só perguntou se eu ainda tinha zero hora e daí a conversa fluiu não sei como, mas repleta de literatura ( alguém que me compreende!) e uma troca mútua de boas informações... em suma, uma conversa de qualidade, o que anda rareando hoje dia neste mundo doidão...
Aos meus amigos (todos eles, desde o meu maravilhoso namorado, minha filha, alguns poucos parentes que considero como tal e os demais: Rose, Kelly, Lisi, Taís, Cissa ( com quem voltei a falar a poucos dias: amiga estrela, como disse) e outros...), e claro, ao meu mais novo e grande amigo Johnny, envio através deste texto energias positivas, e peço que continuem sempre estas pessoas maravilhosas e inesquecíveis, todos com suas muitas qualidade e até com seus defeitos (pois somos todos seres humanos sujeitos a errar), vocês me são muito importantes e saibam que têm em mim uma amiga fiel, embora nem sempre presente, mas ao lado de vocês espiritualmente e de coração...
Não deixem que o mundo e situações mundanas transformem vocês, pois nossa personalidade ( aquela que moldamos nos primeiros anos de vida) é o que mais vale, o que nos diferencia dos demais e nos tornam especiais!!!
Vocês são especiais pra mim da forma como são e amo muito todos vocês!!!
"Poderia suportar, embora não sem dor, se morressem todos os meus amores, mas não aguentaria se morressem todos os meus amigos..."
"A amizade é um amor que nunca morre"
Mário Quintana
"Perguntei a um sábio, a diferença que havia entre amor e amizade, ele me disse essa verdade... O Amor é mais sensível, a Amizade mais segura. O Amor nos dá asas, a Amizade o chão. No Amor há mais carinho, na Amizade compreensão. O Amor é plantado e com carinho cultivado, a Amizade vem faceira, e com troca de alegria e tristeza, torna-se uma grande e querida companheira. Mas quando o Amor é sincero ele vem com um grande amigo, e quando a Amizade é concreta, ela é cheia de amor e carinho. Quando se tem um amigo ou uma grande paixão, ambos sentimentos coexistem dentro do seu coração."
WILLIAM SHAKESPEARE

Desconsideração total com os jornalistas (os com diploma!)!!!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Meu, que put... sacanagem com os profissionais de jornalismo, aqueles que estudaram pacas pra poder entrar numa universidade (como estou fazendo agora), estudaram 4 anos ou mais se especializando para poder se tornar um bom profissional, as vezes deixando faltar algo em casa pra poder pagar a facul de jornalismo, q por sinal eh caríssima, pra daqui a pouco decretarem que simplesmente não precisa mais do canudo para exercer a profissão pela qual lutaram!
Poxa, num sou estudante de jornalismo ainda, mas vou ser se Deus quiser e não vai ser isso que vai me fazer desistir do meu sonho. Sabemos que o mercado dá preferência para aqueles cujo curriculo mostrar uma instrução superior, mas tem tb muita falcatrua, q ninguém eh imbecil pra dizer q num sabe! Eis aí o motivo pelo qual temos tanto jornalista q num presta, q escreve escreve e nunca diz nada, só ocupam espaço em veiculos de comunicação q se fossem sérios contratavam apenas aqueles q ao menos sabem o q estão escrevendo, e não esses q só enchem linguiça e fazem nossos olhos de pinico!
Será q eles num se tocam q esta profissão eh tão importante qto as outras? Td bem, num salvamos vidas (de acordo com a reportagem, até salvamos), não ensinamos a ler e a escrever, mas somos aqueles q informam o q acontece e depois q se aprende a ler somos importantissimos para a informação da população. Então, vem cá e me diz q isso num eh um descaso? Eh o msm q inutilizar os canudos dos médicos devidamente formados e liberar qualquer um para exercer a profissão q eles levam 5 anos para aprender (e ainda ssim as vezes ainda forma medicos mediocres!)! Com certeza a população se revoltaria e faria um escandalo! As situações podem ser diferentes apenas pela maneira como as profissões são exercidas, mas ambos lados estudaram e deram duro pra trabalhar e ganhar um espaço nesse mundo! Isso eh o q indigna! E espero sinceramente q algo seja feito a respeito, pq eh um descaso total!
Bem, sei q o texto está uma bosta, mas nem passei para o vestibular ainda! Então vamos pensar q pessoas totalmente leigas, como eu no momento, q num sabem técnicas de escrita e mais o diabo a 4 q precisa saber para escrever pelo menos razoavelmente bem, estão liberadas para escrever onde bem entenderem. E vão ter jornais e revistas pipocando de gente assim, pq todo mundo, até os donos de veiculos de comunicação têm parentes q gostariam d escrever uma "palavrinha", e, bem... agora podem neh!!!
Mas td bem, pq vou estudar bastante para num precisar m preocupar com pessoas assim!!!
Q Deus nos ajude!!!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

As vezes acho q td aquilo por quê lutamos eh meio inútil, tipo, as coisas parecem ja ser programadas desde o começo... Lutamos uma pá de tpo para alcançarmos um objetivo e de repente nos damos conta de q eh melhor ir pelo caminho mais simples e q num importa se as coisas acontecerem daqui seis meses ou 2 anos, desde q realmente aconteça... Mas qdo tu t dá conta disso ja se perdeu mto tpo e as vezes até dinheiro num projeto q parece ter sido abortado desde o principio...
Semana passada decidi trancar o cursinho. Bem, decisão simples e até comum para mtos q q conheço, podem até pensar q sou mto dramática, mas a verdade eh q depositei mta esperança(e $) neste curso, e gosto d estudar tb. Agora me sinto meio sem rumo, vou ter q aprender a me organizar e estudar sozinha, qdo sei q msm no cursinho e com conteudo tabelado já era dificil... Mas d q adianta investir em algo assim, qdo estava me prejudicando em outros aspectos... Acho q tomei a decisão certa, só lamento num ter tomado-a antes, se bem q pensando melhor, se tivesse decidido antes de ter visto o qto ia ser dificil seguir em frente eu talvez teria sofrido mais...
Já passei por tanto nesta vida q nem sei como me preocupo tanto por uma coisa tão boba, me sinto até meio idiota... mas abrir mão de uma boa expectativa eh doloroso em qualquer situação. Mas sei q c num for para eu passar na facul esse ano passarei no próximo, e o importante eh na verdade eu conseguir ser jornalista, não? Bom, parece facil pensar e agir assim, infelizmente na pratica eh um pouco mais dificil... mas td bem, td se ajeitará, as coisas num são mesmo pré-programadas? Vai ver estou fazendo de novo: me preocupando com algo q com ou sem minha interferência vai entrar nos eixos qdo eu menos esperar...
Sei q parece bobagem, mas queria tanto viver uma outra vida apenas por um dia... sei lá, só estudar e num precisar trabalhar(os 2 ao msm tpo eh tri cansativo), ter pais normais como a maioria ou ter minha filha 100% do tpo ao meu lado... ela já tá grandinha e começo a perceber q a vó dela num pode mais m substituir em certos aspectos... me pergunto se demorará mto para eu ter meu canto, minha filha e minha profissão, me sentiria 100% realizada... só num sonho com um namor 100% perfeito pq este já eh realidade!!! Acho q o fato d eu ter alguém tão especial ao meu lado me dá forças para seguir em frente qdo a vontade eh esperar sentada e ver o q a vida me reserva. E pensar q fiquei em depressão tanto tpo (e qdo ainda era uma menina) por um garoto q até hj num sei pq fui gostar... será q se naquela época eu soubesse q encontraria o Vini teria desperdiçado todo este tpo? E se soubesse q nos daríamos tão bem num teria esperado ele para dai sim ter tido a Mel e num ser responsável pelo sofrimento q a distância causa em ambas? Tipo, ter uma familia bem estruturada e num precisar postar num blog td aquilo q me tapa a cara d vergonha? Ma td deve ter um pq, e quem sou eu para questionar o q Aquele e Aquela(sou Wicca, portanto acredito na dualidade das coisas, então, segundo minha concepção, além de crer em Deus acredito tb na Deusa) predestinaram para mim?
Bem , por hj eh só, minha subgerente acabou de me pegar escrevendo aqui e tenho q voar!!!
'Para meu amor, Vi..."
NUM SEI SE EH AMOR, AMIZADE OU CASAMENTO, MAS TEM SIDO CADA DIA MELHOR...
FELIZ DO HOMEM QUE SABE VALORIZAR UMA MULHER, ESTE SIM PODE CHAMÁ-LA DE SUA, NÃO PELO SENTIMENTO DE POSSE, MAS POR ELA NUM QUERER SER DE MAIS NINGUÉM...
'Eu Não quero deixar passar nem mais um dia Vou dizer a você o que estou pensando Parece que estão todos terminando E jogando o amor fora Mas eu sei que tenho uma coisa boa aqui É por isso que digo (Hey) Ninguém vai me amar mais, tenho que ficar com você para sempre Ninguém vai me empolgar mais, tenho que ficar com você Você sabe me apreciar, tenho que ficar com você meu amorNinguém nunca me fez sentir assim, tenho que ficar com você Não quero deixar passar mais um dia Vou dizer a você o que estou pensando Do jeito que a gente vive a nossa vida Ninguém vai se meter entre nós Quero que você saiba, que você é o cara certo para mim(refrão)Ninguém vai me amar mais,tenho que ficar com você para sempre Ninguém vai me empolgar mais, tenho que ficar com você Você sabe me apreciar, tenho que ficar com você meu amor Ninguém nunca me fez sentir assim, tenho que ficar com você E agora, não há nada mais do que eu precise E agora, eu canto porque você gosta muito de mim Eu tenho você, vamos fazer amor para sempre Estou com você, Amor você está comigo Não se preocupe com as pessoas a nossa volta Elas não vão nos prejudicar Conheço você e você me conhece E é isso que importa Não se preocupe com as pessoas a nossa volta Elas não vão nos prejudicar Conheço você e você me conhece E é por isso,é por isso que digo'
Stickwithu, Pussicat Dolls

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Hj to sem tpo pra escrever, entaum vou deixar uma musica q diz tuuuuuuudo, amuuuuu legião e esta música eh um marco na minha história.. Sempre precisei De um pouco de atenção Acho que não sei quem sou Só sei que não gosto Nesses dias tão estranhos Fica a poeira se escondendo pelos cantos Esse é o nosso mundo O que é demais nunca é o bastante A primeira vez Sempre a última chance Ninguém vê onde chegamos Os assassinos estão livres Nós não estamos Vamos sair Mas não temos mais dinheiro Os meus amigos todos estão Procurando emprego Voltamos a viver Como há dez anos atrás E a cada hora que passa envelhecemos dez semanas Vamos lá tudo bem Eu só quero me divertir Esquecer desta noite Ter um lugar legal pra ir Já entregamos o alvo e a artilharia Comparamos nossas vidas Esperamos que um dia nossas vidas possam se encontrar Quando me vi tendo de viver Comigo apenas e com o mundo Você me veio como um sonho bom E me assustei Não sou perfeito Eu não esqueço A riqueza que nós temos Ninguém consegue perceber E de pensar nisso tudo Eu, homem feito Tive medo e não consegui dormir Vamos sair Mas estamos sem dinheiro Os meus amigos todos estão Procurando emprego Voltamos a viver Como há dez anos atrás E a cada hora que passa envelhecemos dez semanas Vamos lá tudo bem Eu só quero me divertir Esquecer desta noite Ter um lugar legal pra ir Já entregamos o alvo e a artilharia Comparamos nossas vidas E mesmo assim Não tenho pena de ninguém. Legião Urbana

segunda-feira, 1 de junho de 2009

QUEM SOU EU
Sou uma garota normal,com 23 anos e muitos planos...alguns impossiveis,outros nem tanto,mas a vida num consiste justamente em se ter algo por que lutar? Então estou no caminho certo... Tenho uma filhota linda q eh meu tesouro e amigos maravilhosos q me valem mais q ouro...tenho tb um namorado q eh um principe e uma familia bem brasileira(a maioria distante o suficiente para eu não ter o que falar - graças a Deus).Meu pai eh um amor, mas meio confuso... minha mãe eh boa pessoa,mas ainda não se encontrou,e tenho dois irmãos,mas um deles se parece especialmente comigo,e ele tem só 14 anos - coitado! Gosto de ser só -como Fernando Pessoa-, mas tb amu ter amigos e saber q eles me compreendem, sobretudo qdo nem eu mesmo consigo! Putz, tenho tanto o que falar de mim que sinceramente num sei por onde começar, e como estou blogando (existe esse termo?) do meu serviço nesse momento ( ou seja, sob pressão!), acho que vou bolar algo legal para começar a realmente falar de mim da próxima vez...ou não, ja q as coisas fluem melhor qdo não são planejadas neh...nossa, sou mto confusa mesmo!!! Aos q gostarem do meu blog, muito obrigado! E aos q não gostarem, sinto muito, mas ele eh feito mesmo só para meu desabafo -já que o mundo não quer me ouvir- e não pra vc gostar!!!Agradeço a todos meus amigos e conhecidos por tornarem minha vida tão interessante a ponto de eu querer jogá-la na rede! E minhas mais sinceras desculpas antecipadas aos que eu vier a magoar ocasionalmente no futuro, mas se falei de vc, certamente tu mereceu! "Nunca conheci quem tivesse levado porrada.Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,Indesculpavelmente sujo,Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,Que tenho sofrido enxovalhos e calado,Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachadoPara fora da possibilidade do soco;Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. Toda a gente que eu conheço e que fala comigoNunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida... Quem me dera ouvir de alguém a voz humanaQue confessasse não um pecado, mas uma infâmia;Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?Ó príncipes, meus irmãos, Arre, estou farto de semideuses!Onde é que há gente no mundo? Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? Poderão as mulheres não os terem amado,Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?Eu, que venho sido vil, literalmente vil,Vil no sentido mesquinho e infame da vileza."
Fernando Pessoa